Natação é (quase) sempre bom
Natação é (quase) sempre bom
Todo mundo já cansou de ouvir: natação é um esporte completo. Ou o mais completo. Os benefícios da prática de natação são muito conhecidos e, em geral, verdadeiros. Mas não é um esporte sem nenhuma “contra-indicação”, como às vezes se pensa. Não se deve nadar com otite, como todo mundo sabe e alergia ao cloro pode ser um problema. Mas há outras considerações menos óbvias a se fazer.
Apesar de ser um esporte sem impacto e que trabalha praticamente toda a musculatura do corpo, o desenvolvimento que promove costuma não ser tão harmônico quanto se pensa. A postura de “peito fechado”, com os ombros girados à frente, típica de nadadores e causada por um fortalecimento desproporcional da musculatura anterior costuma causar problemas nos ombros. O alongamento dessa musculatura não é fácil (a tendência é compensar com a elevação das costelas) e eu recomendo a todo nadador ao menos uma consulta com um bom fisioterapeuta, de preferência especialista em RPG. O mesmo profissional pode ajudar a combater o encurtamento da musculatura posterior das pernas (especialmente panturrilha).
Pessoas com problema de coluna precisam cuidado especial com as viradas. Considero a virada olímpica (cambalhota) contra indicada para quem tem problemas na região lombar e mesmo a virada simples deve ser feita com cuidado. E aqui, como sempre, vale o conselho: ouça seu corpo! Nunca treine (natação ou outros esportes) sob efeito de antiinflamatórios ou qualquer analgésico, pois a dor é um ótimo indicador dos exercícios ou movimentos que você não deve fazer.
Por fim, a natação é contra-indicada para quem não gosta de nadar. Não é brincadeira. Vejo pais obrigando crianças que detestam natação a freqüentes seções de tortura. Afinal natação é um esporte completo e só pode fazer bem para seus filhos... Eu acho que nesses casos faz mal. Há muitos esportes para os pequenos experimentarem e provavelmente de algum eles irão gostar. Inclusive experimentar várias modalidades pode ser altamente salutar e enriquecedor para as crianças, inclusive sob o ponto de vista do desenvolvimento motor e das habilidades sociais (nesse último quesito a natação é um esporte fraco...). A única ressalva que acho que cabe aqui é a insistência até que a criança seja capaz de “se virar” na água, ou seja, até que saiba nadar para não morrer afogada. A preocupação de que a criança “sobreviva” na água se justifica, principalmente (mas não exclusivamente) para quem tem piscina em casa.
Este texto é de Ana Mesquita, recordista latino-americana de travessia a nado do Canal da Mancha, Educadora Física pela USP e brilhante fotógrafa profissional, aproveite e visite o site, www.anames.com.br
Escrito por Mario Ferrara Jr. às 22h43
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